Bom dia!
Era cedo. Ainda não eram oito horas da manhã e eu já estava a entrar porta dentro, com o sobressalto e a ligeira má disposição que me é habitual antes do primeiro café. Assim que abri a porta da agência soube pelo perfume que ele também lá estava. O meu estômago deu duas voltas. Desci a escada até ao balcão, e ele lá estava, sentado, compenetrado, de fato cinza escuro, gravata cinza claro. Olhou-me com aqueles olhos negros e expirou um “bom dia” com aquela voz rouca, grave e quente. O sangue subiu de imediato às minhas faces e respondi, com um sorriso nervoso. Estávamos sozinhos ainda. Era muito cedo, os colegas ainda não tinham chegado. Assim que entrei na casa-forte ouvi passos atrás de mim e, mais uma vez, aquele perfume inconfundível que se misturava com o seu próprio cheiro e me deixava louca! Assim que me voltei para o encarar ele já estava a centímetros de mim. Encostou-me contra as pastas de arquivo, que tombaram à nossa volta, e com a voz ainda mais rouca segredou-me ao ouvido: “Quero-te! Aqui e agora!” E deu-me o beijo mais longo, mais quente e mais sensual da história. Levantou o meu vestido e sorriu quando descobriu que em vez de meias de lycra trazia um cinto de ligas. Sorri-lhe de volta e disse: “Estava a pensar em ti quando me vesti.”
Eram oito e trinta quando atendi o primeiro cliente. Ele estava ao meu lado a trabalhar calmamente.

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