Bis in idem



César conhecia a fama de Júlia, embora ela não soubesse disso.
Sabia que ia para a toca da loba quando tocou à campainha.
Ela não sabia como é que ele a conhecia, nem quem era o elo entre os dois.
César estava ali porque apostara que a conseguia conquistar. Ela acha que ele era só mais um submisso iniciante, não desconfiava do passado, dos conhecimentos e muito menos das intenções. Ele sabia que a maior fraqueza dela era a vaidade e usaria isso a seu favor.
Júlia levantou-se do sofá e dirigiu-se até à varanda para fumar um cigarro.
- Tira a roupa – disse ela a César, não como um pedido, mas sim como uma ordem.
César obedeceu, tirou a roupa com naturalidade, ficando apensas de boxers e dirigiu-se até à varanda.
A noite estava fria, cerca de doze graus o que fez com que César se arrepiasse, ainda assim, continuava com um rosto sereno, tranquilo, como quem não se importava com a situação. Ele não era menino de desistir no primeiro desafio.
Júlia olhou-o de cima abaixo, gostava do que via, não somente o corpo, mas a postura de quem sabia segurar firme numa mulher. Ela reconhecia isso no olhar, porém só era digno de a ter quem enfrentasse o frio sem roupa. Conhecia homens que se faziam de durões, mas que desistiam no primeiro teste, permitindo uma humilhação rápida e fácil.
César estava ali parado à sua frente, ela olhava e não dizia nada. Fumou o seu cigarro devagar e acendeu outro. Perguntou-lhe se fumava e ele apenas disse que não queria. Júlia virou-lhe as costas e ficou a observar a rua e ele ali, parado, com a pele arrepiada. O frio começava a manifestar-se.
Júlia ficou a olhar para a rua durante uma hora, sem nada dizer, a olhar para o horizonte, a beber o seu vinho, fumou outro cigarro, e César ali especado a olhar para as costas dela. Ele sabia que era um teste e não ia perder por causa do frio, mesmo que por dentro parecesse que os seus órgãos estavam a congelar.
Passado pouco mais que uma hora, ela olha para ele e perguntou:
- Que queres agora?
Ele, calmamente, olhou para ele e respondeu:
- Quero-a a si!
- Vou deixar que me toques, quero conhecer as tuas mãos, mas presumo que estejam frias e eu detesto isso.
De pé, encostada ao muro da varanda, abriu as pernas enquanto bebia a última taça de vinho. Usava um vestido justo, de malha pesada e mangas compridas, de baixo, tinha umas meias de lycra pretas.
César sabia que era uma ordem, não um pedido. Esfregou as mãos uma na outra para as aquecer, meteu a mão por baixo do vestido, afastou-lhe as cuequinhas e tocou-lhe no sexo.
Júlia percebeu a ereção imediata de César.
As mãos dele estavam ligeiramente mornas, macias. Ele tocava-a com gentileza e suavidade, como quem explora o sexo à procura de conhecer a textura e a humidade. Ela riu-se para dentro, sabendo que a sua capacidade de estar sempre muito molhada iria enlouquecer o rapaz.
Ela começava a gostar das mãos dele virou a cabeça e acendeu mais um cigarro, ignorando completamente a presença de César que estava ajoelhado a seus pés, seminu, naquele chão gelado e numa cena humilhante. A Dama soberana podia ter o que quisesse, até um belo rapaz, viril, ajoelhado a dar-lhe prazer feito um cordeirinho manso.
César começou habilmente a massajar-lhe o clitóris, sabia como o fazer. Excitava-a suave e calmamente para que ela não se viesse logo. Ela gostou daquilo.
A expressão deles era calma, havia desejo, sim, mas acima de tudo havia uma hierarquia. César cumpria o seu papel de submisso desejoso de poder meter-se dentro dela.
Ela passou a olhar para ele. César sentiu um estímulo tremendo e ia, agora, ia fazer com que ela se viesse ali, nas suas mãos. Queria ver o sexo dela, mas não podia. Queria poder ver o corpo dela que estava desenhado no vestido, sabia que era linda, e só de imaginar o sexo dele inchava. Ele queria mostrar-lhe, apesar da posição de submissão, o que era capaz de fazer como homem.
Introduziu um dedo com força dentro dela, pressionou a mão, massajando-a por dentro, tirava o dedo e reintroduzia-o cada vez mais rápido. Ela estava incrivelmente molhada. Notou que a respiração dela mudara, tornando-se ofegante. Ela imóvel olhava para ele. César queria beijá-la ali, rasgar-lhe a roupa, deitá-la no chão e fodê-la, mas não podia.
Tinha o sexo dela, quente e molhado nas suas mãos, começou as masturbá-la com mais intensidade e daí a segundos sentiu-a tremer e o seu orgasmo a escorrer-lhe pelos dedos. Olhou para ela e viu o seu olhar a ficar turvo por uns segundos, um gemido a escapar-lhe pela boca. Sem que ela lhe dissesse, ele lambeu os próprios dedos, absorvendo o gosto daquela mulher.
Já não sentia frio. O corpo dele estava aceso e cada vez mais desesperado para estar dentro dela.
Júlia aproveitava o orgasmo que acabara de experimentar e ordenou-lhe que lhe tirasse as cuecas para a limpar com boca. Ela virou-se de costas a fim de voltar a olhar para o horizonte, inclinou levemente o corpo, empinando um pouco o rabo e manteve as pernas abertas.
César levantou-lhe um pouco o vestido, tocou suavemente no seu rabo sentindo-lhe a pele macia e tirou-lhe a cuequinha devagar.
Ajoelhado no chão frio, lambeu-a. Ele estava a enlouquecer por não a ter. Esqueceu-se de que era submisso, desligou do mundo, agora era a língua dele e o sexo de Júlia. Perdeu-se no momento e devorou-a, não via nada, não ouvia nada. Lambeu-a, chupou-a, sugou-a. Queria-a e não conseguia parar, voltou a senti-la a tremer, mas desta vez na sua boca e de repente sentiu o orgasmo dela a escorrer-lhe pelos lábios.
Júlia virou-se sem ele estar à espera, puxou-o para cima pelos cabelos e beijou-o. Ela esqueceu-se das regras, esqueceu-se de tudo e deixou-se render ao beijo daquele que ela estaria a dominar e acabou por ser ela a ficar dominada.
César, puxou o decote dela para baixo descobrindo-lhe os seios, mordeu-lhe os bicos duros e beijou-os.
Os corpos deles procuravam-se, ele comprimiu-a contra o muro da varanda, comprimia o seu sexo, que suplicava para entrar dentro dela, contra o rabo dela, levantou-lhe o vestido e penetrou-a de uma vez, com força. Júlia gemeu.
César deitou-a no chão, penetrava-a com suavidade como se quisesse morar dentro dela.
Ela não aguentava estar a ser dominada por um rapazinho. Virou-o e sentou-se em cima do sexo dele, cavalgando-o intensamente.
Ele não aguentava mais, precisava de se vir, ela apercebendo-se disso, apoiou as mãos sobre o pescoço dele deixando o seu corpo cair sobre o dele enquanto explodiam num orgasmo intenso. Ele tremia, ela também.
Deitado no chão e de olhos fechados, César recuperava os sentidos, tinha gostado do efeito da asfixia, porém gostou muito mais de tê-la beijado, tocado, penetrado, dominado e conquistado.
Júlia levantou e dirigiu-se para o quarto sem lhe dizer nada.
Já que não havia mais ordens, César levantou-se, limpou-se, vestiu-se, esperou Júlia voltar, mas nem sinal. Pensou em segui-la, entrar no seu quarto e possuí-la mais uma vez.
Podiam ter uma noite inteira de sexo, mas César preferiu não arriscar, ainda era muito cedo.
Conquistou-a, achava ele.

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